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Castelo de Kumamoto: o castelo que resistiu a guerra e terremotos (e como visitar com bebê)

Rapha olhando para o Tenshukaku, a torre principal do Castelo de Kumamoto, no fim da tarde

Na nossa viagem de carro por Kyushu, o Castelo de Kumamoto era uma parada que eu queria muito entender, e não só fotografar. A gente foi no fim da tarde de 8 de julho, com o carrinho, e saiu de lá impressionado. Não pelo tamanho (que é enorme), mas pela história: esse castelo já enfrentou guerra, incêndio e terremotos, e continua de pé. Em parte, graças ao próprio povo de Kumamoto.

Um castelo feito pra não cair

O castelo como a gente conhece foi construído por Katō Kiyomasa, um senhor feudal famoso por ser mestre em fortificações, e ficou pronto em 1607. O complexo é gigante: tem cerca de 1,6 km de leste a oeste e 1,2 km de norte a sul. Ele costuma ser citado entre os três castelos mais importantes do Japão, ao lado de Himeji e Matsumoto.

O detalhe mais genial são as muralhas de pedra. Elas começam quase retas na base e vão ficando cada vez mais inclinadas até o topo, numa curva que lembra a de um leque. Essa técnica é chamada de musha-gaeshi, algo como “o que derruba o guerreiro”: quem tentasse escalar ia ficando pendurado, praticamente de cabeça pra baixo, até não conseguir mais subir.

O cerco de 1877: “perdi pro Kiyomasa”

A prova de fogo veio em 1877, na Rebelião de Satsuma, a última grande guerra civil do Japão. As tropas rebeldes de Saigō Takamori cercaram o castelo por cerca de 50 dias e não conseguiram tomá-lo. Durante o cerco, a torre principal e o palácio pegaram fogo, e até hoje ninguém sabe exatamente por quê.

Conta-se que o próprio Saigō teria dito depois: “Eu não perdi pro governo Meiji. Eu perdi pro senhor Kiyomasa.” Quase 270 anos depois de construído, o castelo ainda fazia exatamente o que foi projetado pra fazer.

Reconstruído com o dinheiro do povo

A torre principal só voltou a existir em 1960, reconstruída em concreto armado, e boa parte do dinheiro veio de doações dos próprios moradores de Kumamoto. Achei isso lindo: o castelo não é só um ponto turístico, é um orgulho da cidade.

2016: o terremoto que quase derrubou tudo

Em abril de 2016, dois terremotos fortes atingiram Kumamoto em dias seguidos. O castelo foi muito danificado: cerca de 30% das muralhas de pedra desabaram, e todas as 13 construções tombadas como patrimônio cultural sofreram danos. A maior parte das telhas da torre principal caiu.

Uma imagem virou símbolo da cidade naquela época: a torre Iidamaru, de cinco andares, ficou de pé equilibrada sobre a quina da muralha, depois que as pedras ao redor tinham desabado. Pra muita gente, foi o retrato da resistência de Kumamoto.

A reconstrução é um trabalho de formiguinha. As pedras que caíram foram numeradas uma por uma, pra voltarem exatamente pro lugar de onde saíram. A torre principal ficou pronta em 2021 e reabriu pro público, mas a restauração completa só deve terminar por volta de 2052.

Muralha de pedra e torre de madeira do Castelo de Kumamoto, com trechos de pedras faltando e rachaduras
Repare no buraco na muralha e nas rachaduras na parede: o castelo ainda carrega as marcas dos terremotos

Hoje, pra visitar sem atrapalhar as obras (e com segurança), existe uma passarela elevada que passa por cima de parte do terreno. É dali que dá pra ver as muralhas ainda em reconstrução e entender o tamanho do trabalho.

Selfie da Rapha e do Adam na passarela elevada, com o Castelo de Kumamoto ao fundo
Na passarela elevada, com o castelo lá no alto

Três semanas depois da nossa visita

Um detalhe que deixou essa história ainda mais marcante pra gente: no dia 28 de julho de 2026, três semanas depois de a gente passar por lá, um novo terremoto, de magnitude 7,1, atingiu a região. Trechos das muralhas de pedra desabaram de novo e o castelo precisou fechar pra inspeção. Ele reabriu no dia 13 de agosto, umas duas semanas depois.

Ver aquilo de longe, sabendo que a gente tinha acabado de caminhar ali, deu outra dimensão pro que a gente aprendeu na visita. Kumamoto já reconstruiu o castelo antes, e vai reconstruir de novo.

Visitando com bebê: o que você precisa saber

Adam e Rapha com o carrinho do bebê em frente à torre principal do Castelo de Kumamoto
Com o carrinho em frente à torre principal

Fomos com o carrinho e deu tudo certo. Algumas informações práticas, conferidas no site oficial do castelo:

  • Carrinho é permitido no castelo.
  • A torre principal tem três elevadores reservados pra quem está com carrinho ou cadeira de rodas, ou tem dificuldade com escadas. É só falar com os funcionários na entrada da torre.
  • Salas de amamentação: tem do lado da bilheteria do Portão Sul, perto do banheiro de Sukiyamaru e dentro da área de descanso de Ninomaru.
  • Ingresso: 800 ienes pra adultos e 300 ienes pra estudantes do ensino fundamental. Menores de 6 anos não pagam.
  • Horário: das 9h às 17h, com última entrada às 16h. Em dias de semana, a entrada é só pelo Portão Sul.

Nossa dica: vá no fim da tarde. A luz estava linda, o movimento era menor e o calor de julho já tinha dado uma trégua. E aproveite pra passar no Sakura-no-baba Josaien, um complexo colado no castelo, com restaurantes de comida local e lojinhas de lembrancinha (inclusive do Kumamon, o ursinho mascote da cidade).

Abre a caminhada do Sakura-no-baba Josaien até o castelo no app do Google Maps do seu celular.

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E você, já conhecia a história do Castelo de Kumamoto? Conta pra gente nos comentários.

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